Especialista explica diferenças entre incidentes de tubarão no Recife e em Fernando de Noronha
Tubarões em Noronha são monitorados Fábio Borges/Acervo pessoal Dos 84 incidentes com tubarões registrados em Pernambuco desde 1992, 14 aconteceram em Fer...
Tubarões em Noronha são monitorados Fábio Borges/Acervo pessoal Dos 84 incidentes com tubarões registrados em Pernambuco desde 1992, 14 aconteceram em Fernando de Noronha. Nenhum deles resultou em morte. Após os ataques registrados recentemente no Grande Recife, especialistas explicaram as diferenças entre as ocorrências na ilha e na Região Metropolitana. Em 2026, Pernambuco registrou três incidentes com tubarões. No domingo (31), o menino João Lucas, de 11 anos, foi mordido enquanto tomava banho de mar na Praia de Piedade, Jaboatão dos Guararapes. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Na segunda-feira (1º), a jovem Marcela Vitória Santos, de 19 anos, teve a perna direita arrancada após um ataque em Boa Viagem. Os dois permanecem internados em estado grave no Hospital da Restauração, no Recife. O terceiro caso foi registrado este ano aconteceu em janeiro, em Fernando de Noronha. A advogada Tayane Dalazen foi mordida na perna por um tubarão-lixa durante um mergulho no Porto de Santo Antônio (veja vídeo abaixo). Ela levou dois pontos e se recuperou sem complicações. Vídeo mostra novo ângulo de mordida de tubarão a turista em Noronha Os casos foram contabilizados pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). A pesquisadora Mariana Rêgo, integrante do grupo e especialista dos tubarões, explicou os fatores que diferenciam as duas regiões. “Fernando de Noronha tem um ecossistema preservado. Já a Região Metropolitana do Recife sofre uma influência humana muito maior, com pesca de arrasto, lançamento de esgoto, poluentes e rios que carregam matéria orgânica para o mar”, afirmou Mariana Rêgo. Segundo a pesquisadora, a transparência da água também influencia. Em Noronha, a visibilidade é alta, enquanto no Recife a água costuma ser mais turva, o que pode fazer os tubarões confundirem pessoas com presas naturais. As espécies mais comuns também variam entre as regiões.“Na Região Metropolitana do Recife encontramos tubarões-cabeça-chata e tubarões-tigre, que são considerados agressivos. Em Fernando de Noronha, entre as espécies consideradas mais agressivas, o tubarão-tigre é único que pode ser identificado”, explicou. Casos graves Noronha Os dois casos graves registrados em Fernando de Noronha aconteceram na Baía do Sueste e foram atribuídos a tubarões-tigre. Em dezembro de 2015, o turista Márcio de Castro Palma foi mordido e perdeu um braço. O segundo registo aconteceu em janeiro de 2022. Uma menina de 8 anos foi mordida e precisou amputar uma das pernas. Para Mariana Rêgo, a Baía do Sueste reúne características favoreceram os casos graves com tubarões-tigre. “A região tem sedimentos finos que deixam a água mais turva quando são movimentados. Além disso, as algas atraem tartarugas, que fazem parte da alimentação dos tubarões-tigre”, explicou. O mergulho e o banho de mar na Baía do Sueste foram proibidos desde a última ocorrência com tubarão. Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) estudam um protocolo para permitir a reabertura do Sueste, mas não há previsão de implantação. LEIA TAMBÉM: Boa Viagem e Piedade: por que praias do Grande Recife têm tantos incidentes com tubarões? Estudo aponta que tubarões-tigre mudaram comportamento e ficam até dois anos em Fernando de Noronha Banho de mar A pesquisadora afirmou que o banho de mar em Fernando de Noronha pode ser realizado com segurança, desde que sejam respeitadas as orientações dos especialistas. “Na ilha, a água transparente permite que os tubarões e os banhistas se vejam. É possível conviver com esses animais de forma responsável. O importante é evitar entrar no mar nos horários em que os tubarões costumam se alimentar”, disse. Mariana Rêgo também comentou as condições para banho na Região Metropolitana do Recife. “Existem áreas onde o banho é proibido. Nos demais trechos, o mar é mais seguro quando há arrecifes externos e nos horários de maré está baixa, nas piscinas naturais”, explicou. A especialista não recomenda entrar no mar em áreas sem proteção de arrecifes, durante a maré alta, em períodos de lua cheia ou lua nova e também nos dias chuvosos na Região Metropolitana do Recife. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias e